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Métodos de treino

O volume de Sergio Oliva: como se treinava antes da ciência do treino

Sergio Oliva treinava com um volume que hoje seria considerado absurdo. Entender por que aquilo funcionava para ele diz muito sobre o que mudou no esporte — e sobre o que não mudou.

Por André N

Sergio Oliva venceu três Mr. Olympia entre 1967 e 1969 treinando de um jeito que nenhum preparador recomendaria hoje: volume altíssimo, sessões longas, e a mesma musculatura trabalhada várias vezes por semana.

O princípio

A lógica da era clássica era simples e direta: mais trabalho produz mais crescimento. Oliva levou isso ao limite do que um corpo humano suporta, encadeando exercícios de grupos opostos — peito e costas, bíceps e tríceps — com descanso mínimo entre eles.

O objetivo declarado era o pump: encher o músculo de sangue e manter essa sensação pela sessão inteira. Não havia periodização como se entende hoje, nem controle de volume semanal. Havia trabalho, e muito.

Por que funcionava para ele

Duas coisas que quase ninguém tem. Primeiro, genética excepcional: Oliva era chamado de O Mito porque sua estrutura óssea e sua distribuição muscular pareciam impossíveis, e nenhum treino cria isso. Segundo, tempo integral — treinar era o trabalho dele, com recuperação e alimentação organizadas em torno disso.

Há ainda um fator que a era clássica não discutia abertamente e hoje se sabe: o uso de recursos farmacológicos, que altera de forma decisiva a capacidade de recuperar entre sessões.

O que sobra disso

O volume de Oliva não é ponto de partida para ninguém que treina depois do trabalho. Mas dois princípios dele sobrevivem ao tempo.

O primeiro é o pareamento de grupos opostos na mesma sessão — trabalhar peito e costas alternadamente aproveita o descanso de um enquanto o outro trabalha, e continua sendo uma forma eficiente de organizar o tempo na academia.

O segundo é a insistência na conexão com o músculo que está sendo trabalhado, em vez de apenas mover a carga de um ponto a outro. Isso não depende de volume nenhum.

O que não sobra é a quantidade. Estudos de dose-resposta sugerem que o retorno de séries adicionais diminui bem antes do patamar em que Oliva treinava, e o que passa disso vira custo de recuperação sem ganho correspondente.

Atleta citado

Exercícios citados nesta matéria