Metabolismo, anabolismo e catabolismo: o que são
Entenda como metabolismo, anabolismo e catabolismo agem no corpo e por que o músculo cresce no descanso, e não durante o treino.
Quem treina com frequência esbarra o tempo todo em três palavras: metabolismo, anabolismo e catabolismo. Elas aparecem em artigos, vídeos e conversas de academia, mas raramente vêm acompanhadas de uma explicação clara sobre o que significam e como se conectam. Entender esses três conceitos muda a forma como você enxerga treino, alimentação e recuperação.
Metabolismo: o conjunto de todas as reações
Nenhuma célula funciona parada. Para manter um organismo vivo, acontece uma quantidade enorme de reações bioquímicas o tempo inteiro, todas no nível celular. Quando você soma essas reações e olha para elas como um todo, está olhando para o metabolismo.
Esse conjunto imenso de reações pode ser separado em duas grandes categorias, que funcionam em sentidos opostos: o anabolismo e o catabolismo. Uma constrói, a outra desmonta. Toda a lógica do crescimento muscular passa por entender como essas duas forças se equilibram.
Anabolismo: construir e armazenar
O anabolismo reúne todas as reações que armazenam energia e constroem novos tecidos. A regra é simples: moléculas mais simples, chamadas de substratos, se unem para formar moléculas mais complexas.
Dois exemplos clássicos acontecem dentro do tecido muscular:
- A síntese de proteínas a partir dos aminoácidos. É esse processo que fabrica proteína muscular nova.
- A formação de glicogênio a partir do agrupamento de moléculas de glicose.
Esses processos ganham destaque logo depois de uma sessão pesada de treino resistido, quando você ingere carboidratos e proteínas. Os carboidratos são convertidos em glicose e, em parte, transformados em glicogênio. As proteínas fornecem os aminoácidos que servem de matéria-prima para a síntese de novas proteínas, algo essencial para a hipertrofia muscular.
Há uma condição inegociável: o anabolismo só acontece quando existe energia e substratos suficientes para sustentar suas reações. Sem essa oferta, não há construção. É graças ao anabolismo que o corpo mantém e regenera não só o músculo, mas diversos tecidos e órgãos.
Catabolismo: desmontar para disponibilizar
No sentido inverso está o catabolismo. Em vez de montar moléculas complexas, o organismo faz o caminho contrário: quebra moléculas complexas e as reduz a moléculas mais simples. O resultado é o aumento da disponibilidade de substratos para o corpo usar.
O exemplo mais cotidiano é a digestão. Ao processar a comida, o organismo desmonta os nutrientes em elementos mais simples, que ficam prontos para serem aproveitados pelo metabolismo, inclusive por reações anabólicas. As proteínas do alimento, por exemplo, viram aminoácidos, e esses aminoácidos, após uma série de outros processos, entram na corrente sanguínea para ser distribuídos pelo corpo.
Existe também um lado menos desejável do catabolismo. Quando falta energia e o organismo precisa manter os substratos disponíveis, ele passa a "destruir" os próprios tecidos para obter aminoácidos e glicose, que depois serão queimados como energia.
Por que você não cresce durante o treino
É exatamente isso que acontece na academia. Durante o treino de musculação, o corpo é obrigado a recorrer ao catabolismo para dar conta da demanda energética. Ou seja: enquanto você treina, não está construindo músculo, está perdendo massa muscular.
O crescimento vem depois, no período de descanso, e só quando há substratos suficientes disponíveis, glicose e aminoácidos, para que a hipertrofia realmente aconteça. Treino sem recuperação e sem nutrição adequada é estímulo sem construção.
O balanço metabólico: quem vence o cabo de guerra
Anabolismo e catabolismo não se revezam em turnos. Eles ocorrem ao mesmo tempo, o tempo todo, de forma transitória. O que decide se você está "anabolizando" mais do que "catabolizando" é o saldo final dessas reações, aquilo que chamamos de balanço metabólico.
- Mais anabolismo do que catabolismo resulta em balanço metabólico positivo.
- Mais catabolismo do que anabolismo resulta em balanço metabólico negativo.
- Quantidades iguais dos dois resultam em balanço nulo.
Mas esse saldo não depende apenas de quantos substratos estão disponíveis. Ele também é comandado pelo sistema hormonal, no qual alguns hormônios funcionam como sinalizadores e gatilhos desses processos.
O cortisol é um bom exemplo do lado catabólico: em situações de estresse, ele dispara uma quebra rápida de tecidos para gerar glicose com pressa. Do outro lado estão a testosterona e a insulina, que sinalizam anabolismo muscular. Não à toa, versões sintéticas de testosterona, e até de insulina, são usadas justamente com o objetivo de aumentar a massa muscular.
O que fica de prático
Metabolismo é o todo; anabolismo constrói; catabolismo desmonta. O músculo não nasce durante o esforço, e sim no descanso, sustentado por energia, aminoácidos e um ambiente hormonal favorável. Garantir substratos suficientes e recuperação adequada é o que inclina o balanço metabólico para o lado positivo, que é onde a hipertrofia acontece.
Por Prof. Benito Olmos
Referências bibliográficas
- Fox, E.L.; Mathews, D.K. Bases fisiológicas da educação física e dos desportos. Editora Guanabara, Rio de Janeiro, 1986.
- McCardle, W.D.; Katch, F.I.; Katch, V.L. Exercise physiology: energy nutrition and human performance. 3rd ed., Lea & Febiger, Philadelphia, 1991.
- Warren, M.P.; Constantini, N.M. Sports Endocrinology. Totowa, Humana Press, 2000.